PARIS CARTIER e outras histórias
No volume 5 da Coleção Letra de Médico, Mércia Lúcia Chade narra muito do que viu e viveu em suas poesias, contos, crônicas, relatos, causos e reflexões. Ela diz na introdução da obra: "Este livro foi escrito como se eu estivesse falando comigo mesma no espelho e com você, numa linguagem coloquial, onde existimos eu e você, num papo sem preconceitos, sem julgamentos, apenas um bate papo entre amigos..."
Veja a seguir uma das narrativas deste volume:
O suposto pai
No volume 5 da Coleção Letra de Médico, Mércia Lúcia Chade narra muito do que viu e viveu em suas poesias, contos, crônicas, relatos, causos e reflexões. Ela diz na introdução da obra: "Este livro foi escrito como se eu estivesse falando comigo mesma no espelho e com você, numa linguagem coloquial, onde existimos eu e você, num papo sem preconceitos, sem julgamentos, apenas um bate papo entre amigos..."
Veja a seguir uma das narrativas deste volume:
O suposto pai
Certo dia, um final de semana Lúcia estava em casa pela manhã, quando chega uma moça ainda jovem, mais jovem que Lúcia querendo lhe falar. Não quis entrar e então ficaram no portão.
Passou-se então o seguinte diálogo entre elas:
– Meu nome é Marisa e trabalho com Antônio.
– É?
– Sim.
– Não a conheço.
– É. Sou assistente social.
– Ah!
– Vim aqui porque tenho um filho.
– Ah! Eu também!
– Quero conversar com a senhora pois meu filho é filho do seu marido, o Antônio.
Lúcia ficou pasma, mas disfarçou bem e falou:
– Não sabia e nunca soube que Antônio tenha ou tivesse tido outro filho além do seu, mas comigo; mas não há problemas. Antônio está trabalhando, o que acontece sempre em alguns finais de semana, o que você provavelmente já deve saber. Mas vou falar com ele e marcaremos uma reunião entre nós três para resolvermos esta pendência. Garanto-lhe que Antônio assumirá a paternidade e seu filho não terá problema nenhum.
A moça concordou sem nenhum questionamento. Disse que voltaria para a reunião que marcaria então com Antônio em nossa casa e traria o filho para conhecermos. Despediu-se de mim, alegre e feliz.
Eu por outro lado, fiquei matutando, matutando... o problema, a solução e a abordagem que teria com Antônio quando ele chegasse.
Na hora do almoço Antônio chegou.
Sentamos e tivemos a seguinte conversa:
– Parabéns!
– Por que parabéns?
– Pelo seu novo filho.
– Que filho? Você está grávida?
– Não. Um filho seu, já grande e que está sendo criado pela mãe.
– Você tá louca? Não tenho e nem tive outro filho que não seja o nosso.
– Ah tem!
– Com quem?
– Com a Marisa!
– Que raios de Marisa?
– A assistente social que trabalha com você.
– Comigo?
– É.
– Não sei de nenhuma assistente social chamada Marisa que trabalha comigo.
– Pois acho melhor procurar saber.
– Por quê?
– Porque você vai assumir o filho.
– Mas eu não tenho nenhum filho com outra mulher e eu nem conheço esta tal de Marisa.
Moral da história: Até hoje esperamos a reunião com a tal da Marisa que sumiu do mapa e que Antônio jura que nunca existiu na sua vida.
Antônio foi vítima de gozação anos a fio por causa do suposto “fio”.
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