Mostrando postagens com marcador Volume 7. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Volume 7. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de junho de 2016

Chegou o volume sete

Luiz(s) Signo do Sol - a cinzenta tarde colorida


O sétimo volume da Coleção Letra de Médico vem com a irreverência poética de Luiz Jorge Ferreira, que explica assim sua maneira de escrever:”Eu converso com meus filhos pelo WhatsApp, emito frases, crio contos aproveitando trechos de suas frases, e as ponho entre outros trechos para criarem vida. Eu acredito na vida existente nas cousas.” Ele juntou tudo isso neste livro, com as inevitáveis pitadas de surrealismo. 

Eis um dos textos do livro:

De: ljorgeferreira [mailto:ljorgeferreira@uol.com.br] 
Enviada em: quarta-feira, 19 de agosto de 2015 16:59
Para: rumoeditorial@uol.com.br
Assunto: Fwd: SIGNO DO SOL...  MADRE

SIGNO DO SOL... MADRE

Após arrumar o Fado, as Photos,
e a Música de Chico Buarque,
Na estante ao lado.
Mamãe deita para morrer.
Eu fui buscar o mar, puxando-o pela janela apodrecida da sala.
E o coloquei ao seu lado.O cheiro de peixe pregou-se em nós.

Depois de cirandar entre Ursa Maior e Plutão.
Quero dizer Av Ernestino Borges
e Odilardo Silva.
Mamãe finge que um dia afogou os igarapés na poça d’água do quintal.
Onde o cheiro dos cajus embriaga o sol.
E lá criou os particípios passados para que ninguém a ouvisse soletrar S.A.U.D.A.D.E.
Havia um barulho de flores no cio.
E o mês de Abril partindo a galope.

Hoje durmo nu sob o Equador.
Corro anão sob o céu de Macapá.
Onde ruminar com os potros, sorri minh’alma.

Quero juntar-me aos tuiras e tuins.
Um mar tolo foge pelo ontem.
Ao longe a chuva chicoteia nos telhados.
Em mim o que chicoteia eu engulo,
com saliva e afim.
À noite, a noite molha minha pele negra com coisas da noite, sob a luz vesga da lua.
Ela uma tola que se acocora com Cora Coralina.
E se intimida com o Português de Pessoa.
Sabe que o mar é um punhado de água com sal.
E conta para as gaivotas que contam para minha mãe que grita.
“A Bombordo, com o sol!”

Amargo até o último mel dou nó nos nós.
Corro para o pôr do sol cego como um pássaro cego em um vôo cego.
Minha mãe salga o olhar
no mar simplesmente só.
Os olhos dos gatos
que sobem sobre os escuros, a espiam.
Enquanto cansada, ela cheira o mar que eu trouxe, ainda sujo de areia.
Um pouco depois volta a conversar com sereias, e outros, outros.
Eu sou para minha mãe, a canoa talhada em ossos, que ela fala que deixou na orla das horas, lá atrás.
Fadigado por outros tantos anos tantos.
Ouço pisadas, espaçadas, do tempo, na areia de outrora.
São 18:45 e chove.
Como se fosse a única coisa tão próxima.

Réquiem...
2012, Osasco tanto de tanto de 2008.

Sétimo Dia.
O rastro que o mar deixou espalhado
atraiu as estrelas translúcidas.
E os cães abandonados.
Eu fechei as mãos com força e o sangue voltou ao coração como se de lá nunca houvesse saído.







Gostou? Então adquira este livro na Loja Virtual



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...